Uma Criança Esquisita

 Uma Criança Esquisita 





   Eu fui uma criança "esquisita". Não acredito que existam crianças esquisitas. Cada criança é única, é um reflexo das poucas experiências anteriores, e um reflexo de sua educação básica. Não existem crianças esquisitas. Mas outras crianças não pareciam pensar assim.

   Aos 4 anos, na creche, as crianças me excluíam e me chamavam de "estranho". Aos 6, me chamaram de "quatro olhos". Aos 9, me chamaram de "aberração". Agora, voltando aos 7, eu era apenas "esquisito". Então eu fingia. Ou tentava. Sem sucesso. Todos sabiam que eu era "esquisito", e só comecei a fingir melhor aos 9 anos.

   Por essas e tantas outras, Alex não foi uma criança com autoestima. Frequentemente tinha pensamentos negativos, chegando a um nível depressivo. Então, aos sete anos, em uma aula vaga, Alex começou a chorar.

   Ninguém fez nada comigo. Ninguém disse nada. Mas depois de tantos sussuros e olhares tortos, desde os 4 anos, é difícil não ter pensamentos como os daquele dia. Ao ver os outros brincando, rindo, interagindo, a única coisa que pude pensar foi: "Eu sou ridículo. Eu sou tão feio." Ali, encolhido no fundo da sala, a única coisa que se passava por minha cabeça era "Não sou normal. Essas garotas são bonitas e se vestem bem, os garotos são alegres e gostam delas. E eu sou horrível. Sou esquisito."

   Não foi a última vez, mas é a de que mais me lembro. Estava razoavelmente bem até aquele momento, até desabar por ser "esquisito". E me lembro bem de um garoto que perguntou se eu estava bem. Minha resposta imediata foi "Só estou com sono." Acho incrível que, aos 7 anos, já desenvolvi a habilidade de criar uma máscara social.

   Minha experiência foi interna. Ninguém criticou minha aparência diretamente para que eu possa mencionar aqui. Mas posso dizer que essa experiência interna foi, sim, um reflexo das exigências sociais acerca do que é "normal".

   E acerca de quem é "esquisito".



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