O Acidente e Meu Ódio Infindo

     O incidente ocorreu perto das 15h, no Centro de Curitiba, próximo à rua Marechal, acredito eu.

    Como de costume, estava acompanhando minha mãe em alguns compromissos. Entre muitos, um deles era minha ecografia cardio (eu tenho um coração um tanto descompassado). 

    Então, depois do meu exame e de levar seu celular ao conserto, o próximo compromisso de minha mãe era seu raio-x. Estávamos na rua que mencionei, na pista da direita, com minha mãe murmurando:

    — Pare de piti, eu tenho que me afastar desse ônibus para...

    E lá estava. Um Palio branco à nossa esquerda, na pista do meio, querendo fazer uma conversão para a rua da direita.

    Bendito erro. Onde já se viu?! Não se faz conversão da pista do meio! Aquela pessoa não podia ter carteira, ou estava bêbada pra caralho.

    A primeira coisa que pensei quando o carro começou a entrar em meu campo de visão foi: "Meu carro!". Depois, quando os carros pararam de se mover, pensei "Só o que me falta ter de socorrer a pessoa do carro" (eu sou um Bombeiro Civil Aprendiz formado, e prometi ajudar toda e qualquer pessoa se necessitasse de ajuda). E ao ver que todos estavam bem, pensei "Meu carro!".

    A desgraçada da mulher – jovem, baixa, branca e ruiva, acompanhada de um moço – quebrou meu farol esquerdo, e um pouco abaixo também.

    Tiramos os carros do meio da rua e estacionamos em frente a um estacionamento pago. Minha mãe tentava ligar para a polícia, sem muito sucesso, enquanto a moça repetia:

    — Como faz o boletim? É que eu nunca bati antes.

    Imagino. Aposto que aquele carro era do pai, como vou justificar mais à frente.

    O moço só ficou com uma cara assustada e ao mesmo tempo preocupada, enquanto ela alisava o carro em busca de danos. Uma ova! O carro dela não teve um único arranhão.

    Depois de um tempo, minha mãe ficou dentro do carro enquanto eu ouvia a moça em uma ligação, dizendo "mas pai, a moça que tá se exaltando, e eu não vou ficar aqui".

    Minha mãe certamente não estava se exaltando. De fato, ela age meio nervosa quando batem no carro dela, mas estava dentro do carro tentando ligar para a polícia. Muito exaltada...

    Logo depois, a moça começou a dizer que tinha consulta e que não ficaria ali. Começou a chamar o moço, que deu seu telefone à minha mãe antes de entrar no carro e ir embora.

    Por algum milagre, ela arcou com o prejuízo, reembolsando os R$1000 do conserto. 

    Mas que ódio. Fiquei com um ódio tremendo o dia todo, enquanto não tinha notícias da mulher. Por 19 horas eu fiquei me remoendo. Até que soube que ela pagaria. Só aí relaxei.

    Ainda mantenho um certo receio para com ela.

    Enfim. Não façam conversão pela pista do meio, por favor.

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