A Primeira Dança

 

A Primeira Dança 



Rodando, rodando, rodando

Ao som de algo como violino e vocal

Algo como o século XVIII

Repleto de antiguidade 




Durante um feito alimentar

A música que antes não gerara qualquer reação 

Agora fazia o garoto deprimido dançar alegre

Rodando, rodando, rodando 


Com uma saia florida e uma camiseta curta 

Com os dedos delicados e nas pontas dos pés 

Com as pernas ágeis e os braços livres 

Com o ambiente se tornando cada vez mais fantasioso


Agora o que sentia eram agulhas do tamanho de átomos

Que faziam cócegas nas pontas de seus dedos e na palma da mão 

Que se espalhavam pelo seu corpo e dilatava os olhos 

Que o fazia preencher toda a sala e cozinha 


Rodando, rodando, rodando 

O garoto agora era um camponês cozinheiro 

E toda a luz da janela tornava visível o pólen e a farinha doce 

E a luz o fazia brilhar como os ouros dos olhos 


E ele cantava notas agudas 

Com felicidade e depressão ao mesmo tempo 

E seu corpo se conectava à partitura 

Rodando, rodando, rodando 


As unhas não tinham cor 

Os lábios menos ainda 

Os cabelos não tinham vida 

E a consciência era escassa 


Assim ele descobrira 

Que a música não o moldou 

E sim ele moldara a música 

Assim 


Nas pontas dos pés 

Com farinha doce e pólen 

Pupilas dilatadas 

E uma ansiedade diante sua recompensa 


Rodando, rodando, rodando


Que não chegou.


Ele cai ao chão.


As pequenas agulhas estão lá para a próxima vez.

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